Home Data de criação : 09/04/30 Última atualização : 10/02/04 08:58 / 94 Artigos publicados
 

"Encantamento" - Poema e escultura de Gisele Cezar  (Poesia) escrito em quinta 04 fevereiro 2010 08:58


Escultura de Gisele Cezar

  

ENCANTAMENTO

 

Estranho encantamento
Sugeriu-me o vento
Na pedra mais alta
De um vale assombrado
Assobiou sem eco
O meu reflexo
Um outro reverso
Espelhado no inverso
Do espaço que me cabia
Intangível no intocado
Destino que se escrevia
Como habitar sem movimento
Perante as memórias do sagrado?
Ah! Como quis correr
E me embrenhar no meio do mato
E me prever no cheiro de um regato
Deixando que o tempo como contador de histórias
Trouxesse os gestos conquistos
De apelos tão esquisitos
E em um sussurro me segredasse
Sobre a intransparência do não visto
Infortuito coração
De quantas angústias permeou-me esse vale
De incontidas recordações
Recordações que não eram minhas
E que tão bem eu lia
Em minhas impressões
Como o conto da lareira
Da menina brejeira
Que de outrora
Fulgurou a aurora no fogo de seus cachos
Tão impessoal, impresente quanto irreal
Era o amor que se escondia
Congelado em cascata de cristal
De um céu sem horizonte
Desvanecido
Nos abraços de seus montes

Gisele Cezar

Observação: poema lido (acima) pela autora. Gravação feita nos estúdios da Rádio UEM-FM 106,9 em 2008.

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ArtAnima 3 - Projeto Cinesíntese  (Video-Arte) escrito em sábado 23 janeiro 2010 16:05

Segue mais um ArtAnima, dos amigos donLeal e Giu Maranho. Genial leitura sobre a barbárie do Haiti e de nossa história, lá, aqui e acolá... sem deixar de lado a metalinguagem. Parabéns aos amigos, ficou demais!

marciano lopes

 

PS: ArtAnima é um projeto de video-arte realizado por Mario donLeal e Giu Maranho, por meio animação de fotografias, cronofotografias e anamorfoses cronotópicas.

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"Do boteco à realidade" e "Mar morto" - dois minicontos de Luciana Brites  (Contos e Minicontos) escrito em quinta 21 janeiro 2010 08:46

Para abrir esta nova seção (categoria) da Revista Outras Palavras, apresentamos dois minicontos de Luciana Brites, poeta e ex-estudante de Letras na UEM.


Do Boteco à Realidade

São três garrafas, um copo e o fumante. Figura de boa aparência que deve ter saído a pouco do emprego, parece agitado.

São quatro garrafas, copo perdeu utilidade, boca e garrafa passam a coexistirem intimamente, sem remorsos, por saberem se parasitarem.

Ficam em pé, não há esforço, falam da vida, não da dele, mas no geral, sobre a coisa que é acordar todo dia, disso de ter que trabalhar, do que foram anos de estudos...

Diz tão coerente, com tanta energia e sinceridade alcoólicas que emociona até as mais conformadas e frias cadeiras, que ficam levitando na magia das palavras, transbordadas da realidade da existência. A verdade, que o homem tem poder para usá-la ou dominá-la, possibilidades frágeis e mutáveis e velozes.

É tão forte que o ambiente todo flutua nela (verdade).

Então o homem vai até o caixa paga a quinta garrafa e segue o rumo para casa enquanto a vida tenta se reorganizar no pequeno boteco vazio.

 

Mar Morto

Alguém amou desesperadamente...

Teve várias noites de insônia, chorou e sofreu de verdade, desejou muito, inventou realidades românticas. Alguém que cultivou uma ideia de forma tão intensa que passou a acreditar que fosse real e desta maneira foi bastante feliz, numa terra como a “terra do nunca”, de fantasias fosforescentes e de ingenuidade sublime.

 Acontece que alguém apareceu para “o” nosso alguém anterior, conversaram e gostaram disso e quiseram repetir e repetir e repetir...

Até que estavam transbordando deles mesmos, foi quando decidiram que queriam acabar logo com o que “meio” acontecia, foram morar juntos, inundaram um lar todo e vivem afogados pacientemente...

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Para quem quiser ler outros textos de Luciana Brites, veja:

http://www.chatoefeio.blogspot.com/

http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=4656  

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Varal de Poesias na 1a JIOP - "Urbanidade" de Marciano Lopes  (1a JIOP) escrito em quarta 20 janeiro 2010 14:40

Poema: Marciano Lopes
Arte: Xavier (feita para o livro "A contrapelo", de Marciano Lopes)

Como não é possível ampliar a imagem para melhor ler o poema, reapresento-o separadamente:

 

URBANIDADE

 

urbanidade
urbanicidade
urbanomicidade
urbanomicocidade
urbano   formicidade
urbanouniformicidade
urbanopluriformicidade
urbanotragocomoacidade
urbanotragococomicidade
urbanoestragocomicidade
urbanoincagacidade
urbanoincapacidade
urbanoescacarracidade
urbanoescacarratrocidade
urbanoesporrotropicidade
urbanurbanurbanurbanurbanurbano
urbanoferoferroferacidade
ferroferoferraferacidade
urbanurbanurbano
urubanicidade
urubanidade
urubano
cânon
anos

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Varal de Poesias na 1a JIOP - "Desejo errata" de Gabriel da Cruz  (1a JIOP) escrito em quarta 20 janeiro 2010 14:23

DESEJO ERRATA

                                                 Gabriel da Cruz 

 

Agora o corpo não é mais um simples movimento
Agora o corpo transcende
Não é mais um processo em desenvolvimento
Se libertou para corrente

O rosto não olha atrás
Os seios acusam timidez
Os olhos fingem uma paz
E o peito não sai da palidez

Pode ser um convite
Ou uma obrigação
Que sem valor, existe
Sem vontade, a ação

Dessa vez corre atrás da felicidade
Agora, outra face alvorece
O que se quer na verdade
É um prazer que não adoece

A mão que louva
É a mão que alisa
A perna que anda
É a perna que leva

Louva um que aceita
Alisa o outro pêlo
Anda em qualquer lugar
Leva onde se quer ir

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