
Escultura de Gisele Cezar
ENCANTAMENTO
Estranho
encantamento
Sugeriu-me
o vento
Na
pedra mais alta
De
um vale assombrado
Assobiou
sem eco
O
meu reflexo
Um
outro reverso
Espelhado
no inverso
Do
espaço que me cabia
Intangível
no intocado
Destino
que se escrevia
Como
habitar sem movimento
Perante
as memórias do sagrado?
Ah!
Como quis correr
E
me embrenhar no meio do mato
E
me prever no cheiro de um
regato
Deixando
que o tempo como contador de
histórias
Trouxesse
os gestos conquistos
De
apelos tão esquisitos
E
em um sussurro me segredasse
Sobre
a intransparência do não
visto
Infortuito
coração
De
quantas angústias permeou-me esse
vale
De
incontidas recordações
Recordações
que não eram minhas
E
que tão bem eu lia
Em
minhas impressões
Como
o conto da lareira
Da
menina brejeira
Que
de outrora
Fulgurou
a aurora no fogo de seus
cachos
Tão
impessoal, impresente quanto
irreal
Era
o amor que se escondia
Congelado
em cascata de cristal
De
um céu sem horizonte
Desvanecido
Nos
abraços de seus montes
Gisele Cezar
Observação: poema lido (acima) pela autora. Gravação feita nos estúdios da Rádio UEM-FM 106,9 em 2008.
Para abrir
esta nova seção (categoria) da Revista Outras Palavras,
apresentamos dois minicontos de Luciana
Brites, poeta e ex-estudante de Letras na
UEM.


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